Os Únicos amestrados e seus alados cavalos também queriam ir rindo para a
singular amplitude,
cancioneiros Achatados ameaçados de extinção e Extintores incendiários
pregavam Jesus na cruz da Luz azul -
cobalto - que chovia ao alto do Arranhado maior ao céu que nada nunca deu ao
meu mérito mesquinho.
Ah! O quanto é mítico... me ligo nisso! 220 volts revira e volta como rabo de
porca, há, não há?
Todos provando fel em conserva por milênios trapezóides na esfera que já era
assim antes de mim -
Assim - chegamos ao mimado Fim estrelado por atores menores que fingem e
que entendem descaradamente;
há Nada que os entediem! Não é, Noé?
Grilos amigos sim! Micos gorilas não! Tudo semeará sêmen e por que não?
será uma explosão pictórica! Vista da janela da cobertura;
Culpados da abertura: Prontifiquem-se...
Mas não é que Moisés diz que não foi ele...
Paulo de Carvalho Castro
domingo, 7 de julho de 2013
Surrealismo
A palavra Surrealismo foi criada pelo poeta Guillaume Apollinaire em 1917, para identificar novas formas de expressão artística. Foi adotada por André Breton para o movimento, por significar a idéia da existência de algo além da realidade percebida.
No Manifesto do Surrealismo, Breton define o surrealismo como:
”SURREALISMO, s.m. Automatismo psíquico em estado puro mediante o qual se propõe exprimir, seja verbalmente, por escrito ou por qualquer outro meio, o funcionamento do pensamento. Ditado do pensamento, suspenso o controle exercido pela razão, alheio a qualquer preocupação estética ou moral. ENCICLOPÉDIA, Filosofia. O Surrealismo baseia-se na crença na realidade superior de certas formas de associação até aqui negligenciadas, na onipotência do sonho, no jogo desinteressado do pensamento. Ele tende a arruinar definitivamente todos os outros mecanismos psíquicos, e a substituí-los na resolução dos principais problemas da existência. Fizeram ato de SURREALISMO ABSOLUTO os Senhores Aragon, Baron, Boiffard, Breton, Carrive, Crevel, Delteil, Desnos, Eluard, Gerard, Limbour, Malkine, Morise, Naville, Noll, Péret, Picon, Soupault, Vitrac. [...] As NOITES de Young são surrealistas do começo ao fim; infelizmente é um padre que fala, um mau padre, sem dúvida, mas um padre. Swift é surrealista na maldade. Sade é surrealista no sadismo. Chateaubriand é surrealista no exotismo. Constant é surrealista em política. Hugo é surrealista quando não é tolo. Desbordes-Valmore é surrealista no amor. Bertrand é surrealista no passado. Rabbe é surrealista na morte. Poe é surrealista na aventura. Baudelaire é surrealista na moral. Rimbaud é surrealista em seu modo de vida e em outras coisas. Mallarmé é surrealista na confidência. Jarry é surrealista no absinto. Nouveau é surrealista no beijo. Saint-Pol-Roux é surrealista no símbolo. Fargue é surrealista na atmosfera. Vaché é surrealista em mim. Reverdy é surrealista em casa. Saint-John Perse é surrealista à distância. Roussel é surrealista na anedota. Etc.”
BRETON, André. Manifestos do Surrealismo / André Breton ; tradução Sergio Pachá. – Rio de Janeiro: Nau Editora, 2001. p.40
No Manifesto do Surrealismo, Breton define o surrealismo como:
”SURREALISMO, s.m. Automatismo psíquico em estado puro mediante o qual se propõe exprimir, seja verbalmente, por escrito ou por qualquer outro meio, o funcionamento do pensamento. Ditado do pensamento, suspenso o controle exercido pela razão, alheio a qualquer preocupação estética ou moral. ENCICLOPÉDIA, Filosofia. O Surrealismo baseia-se na crença na realidade superior de certas formas de associação até aqui negligenciadas, na onipotência do sonho, no jogo desinteressado do pensamento. Ele tende a arruinar definitivamente todos os outros mecanismos psíquicos, e a substituí-los na resolução dos principais problemas da existência. Fizeram ato de SURREALISMO ABSOLUTO os Senhores Aragon, Baron, Boiffard, Breton, Carrive, Crevel, Delteil, Desnos, Eluard, Gerard, Limbour, Malkine, Morise, Naville, Noll, Péret, Picon, Soupault, Vitrac. [...] As NOITES de Young são surrealistas do começo ao fim; infelizmente é um padre que fala, um mau padre, sem dúvida, mas um padre. Swift é surrealista na maldade. Sade é surrealista no sadismo. Chateaubriand é surrealista no exotismo. Constant é surrealista em política. Hugo é surrealista quando não é tolo. Desbordes-Valmore é surrealista no amor. Bertrand é surrealista no passado. Rabbe é surrealista na morte. Poe é surrealista na aventura. Baudelaire é surrealista na moral. Rimbaud é surrealista em seu modo de vida e em outras coisas. Mallarmé é surrealista na confidência. Jarry é surrealista no absinto. Nouveau é surrealista no beijo. Saint-Pol-Roux é surrealista no símbolo. Fargue é surrealista na atmosfera. Vaché é surrealista em mim. Reverdy é surrealista em casa. Saint-John Perse é surrealista à distância. Roussel é surrealista na anedota. Etc.”
BRETON, André. Manifestos do Surrealismo / André Breton ; tradução Sergio Pachá. – Rio de Janeiro: Nau Editora, 2001. p.40
Surrealismo (no dicionário eletrônico Aurélio de Língua Portuguesa):
“Surrealismo = Moderna escola de literatura e arte iniciada em 1924 por André Breton (1896-1966), escritor francês, caracterizada pelo desprezo das construções refletidas ou dos encadeamentos lógicos e pela ativação sistemática do inconsciente e do irracional, do sonho e dos estados mórbidos, valendo-se freqüentemente da psicanálise. Visava, em última instância, a renovação total dos valores artísticos, morais, políticos e filosóficos.
[São preferíveis, porém p. us., as formas super-realismo e supra-realismo.]”
Sendo que do prefixo podemos dizer: sur (do francês) = sobre, em, em direção a, com.
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Dicionário Aurélio Eletrônico –
Século XXI. Editora Nova Fronteira, 1999.
[São preferíveis, porém p. us., as formas super-realismo e supra-realismo.]”
Sendo que do prefixo podemos dizer: sur (do francês) = sobre, em, em direção a, com.
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Dicionário Aurélio Eletrônico –
Século XXI. Editora Nova Fronteira, 1999.
Inconsciente, criação artística e surrealismo
Segundo Freud¹, o inconsciente mantém um papel importante na criação artística, porém, é impossível capturá-lo de maneira pura, como almejavam os primeiros surrealistas (no Manifesto do Surrealismo de A. Breton). Existiriam dois processos inconscientes, sendo que apenas um deles conseguiria chegar ao consciente, ou seja, ser expresso; ainda assim, sofrendo alterações relevantes, para os fins puristas dos surrealistas utópicos.
“Nas palavras de Lipps [1897, 146 e segs.], deve-se pressupor que o inconsciente é a base geral da vida psíquica. O inconsciente é a esfera mais ampla, que inclui em si a esfera menor do consciente. Tudo o que é consciente tem um estágio preliminar inconsciente, ao passo que aquilo que é inconsciente pode permanecer nesse estágio e, não obstante, reclamar que lhe seja atribuído o valor pleno de um processo psíquico. O inconsciente é a verdadeira realidade psíquica; em sua natureza mais íntima, ele nos é tão desconhecido quanto a realidade do mundo externo, e é tão incompletamente apresentado pelos dados da consciência quanto o é o mundo externo pelas comunicações de nossos órgãos sensoriais. [...] É provável que também nos inclinemos muito a superestimar o caráter consciente da produção intelectual e artística. As comunicações que nos foram fornecidas por alguns dos homens mais altamente produtivos, como Goethe e Helmholtz, mostram, antes, que o que há de essencial e novo em suas criações lhes veio sem premeditação e como um todo quase pronto. Não há nada de estranho que, em outros casos em que se fez necessária uma
concentração de todas as faculdades intelectuais, a atividade consciente também tenha contribuído com sua parcela. Mas é privilégio muito abusado a atividade consciente, sempre que tem alguma participação, ocultar de nós todas as demais atividades. [...] Portanto, há dois tipos de inconsciente, que ainda não foram distinguidos pelos psicólogos. Ambos são inconscientes no sentido empregado pela psicologia, mas, em nosso sentido, um deles, que denominamos de Ics., é também inadmissível à consciência, enquanto ao outro
chamamos Pcs., porque suas excitações — depois de observarem certas regras, é verdade, e talvez apenas depois de passarem por uma nova censura, embora mesmo assim, sem consideração pelo Ics. — conseguem alcançar a consciência. O fato de, para chegarem à consciência, as excitações terem de atravessar uma seqüência fixa ou uma hierarquia de instâncias (o que nos é revelado pelas modificações nelas efetuadas pela censura) permiti-nos construir uma analogia espacial. Descrevemos as relações dos dois sistemas entre si e com a consciência dizendo que o sistema Pcs. situa-se como uma tela entre o sistema Ics. e a consciência. O sistema Pcs. não apenas barra o acesso à consciência, mas também controla o acesso ao poder da motilidade voluntária e tem a seu dispor, para distribuição, uma energia de catexia móvel, parte da qual nos é familiar sob a forma de atenção.”
No que diz respeito à escrita automática, esta não se veria livre de “perturbações” do consciente, ou seja, seria impossível a manifestação do inconsciente puro, e os textos, mesmo que tentassem se ver livres de
preocupações histórico-sociais, ainda conteriam reminiscências delas. Como Freud não julgava possível a manifestação pura do inconsciente, e Breton baseia nesta manifestação a idéia central do movimento, elegendo ao mesmo tempo Freud como uma espécie de ”patrono” surrealista, não é de se espantar as divergências que o fundador da psicanálise teve com o fundador do Surrealismo. Porém, esta divergência amplia-se a outros artistas e processos de criação, como veremos a seguir quando abordarmos a questão
de Salvador Dalí e seu método paranóico-crítico.
Quanto ao método de transcrição dos sonhos, utilizado pelos Surrealistas, haveria os problemas da falta de interpretação e da subjetividade, segundo as teorias freudianas. Para Freud, o sonho seria primeiramente dividido em duas partes:
O sonho em si (união do “texto do sonho” com os símbolos), ao qual ele chamou de “Sonho Manifesto”, e o significado do sonho, que ele nomeou de “Pensamentos Oníricos Latentes”. Os sonhos funcionariam como “escape” para desejos reprimidos, sendo que estes desejos seriam os “Pensamentos Oníricos Latentes”, ou seja, o significado de um sonho; porém, este significado seria “censurado” pelo superego (“instância da personalidade que é responsável pela introdução e manutenção dos pensamentos e comportamentos do indivíduo dentro dos padrões socialmente aceitos e princípios morais vigentes, defendendo-o das pulsões instintivas, suscetíveis de criar sentimentos de culpabilidade”), e transformado de maneira a tornar a mensagem aceitável pelo sonhador. Estas transformações causadas pela “censura” seriam resgatadas pela livre-associação e pela interpretação dos símbolos oníricos.
¹- FREUD, Sigmund. Obras Psicológicas Completas; (F) O inconsciente e a Consciência – Realidade. Edição Standard Brasileira Eletrônica. Imago Editora.
“Nas palavras de Lipps [1897, 146 e segs.], deve-se pressupor que o inconsciente é a base geral da vida psíquica. O inconsciente é a esfera mais ampla, que inclui em si a esfera menor do consciente. Tudo o que é consciente tem um estágio preliminar inconsciente, ao passo que aquilo que é inconsciente pode permanecer nesse estágio e, não obstante, reclamar que lhe seja atribuído o valor pleno de um processo psíquico. O inconsciente é a verdadeira realidade psíquica; em sua natureza mais íntima, ele nos é tão desconhecido quanto a realidade do mundo externo, e é tão incompletamente apresentado pelos dados da consciência quanto o é o mundo externo pelas comunicações de nossos órgãos sensoriais. [...] É provável que também nos inclinemos muito a superestimar o caráter consciente da produção intelectual e artística. As comunicações que nos foram fornecidas por alguns dos homens mais altamente produtivos, como Goethe e Helmholtz, mostram, antes, que o que há de essencial e novo em suas criações lhes veio sem premeditação e como um todo quase pronto. Não há nada de estranho que, em outros casos em que se fez necessária uma
concentração de todas as faculdades intelectuais, a atividade consciente também tenha contribuído com sua parcela. Mas é privilégio muito abusado a atividade consciente, sempre que tem alguma participação, ocultar de nós todas as demais atividades. [...] Portanto, há dois tipos de inconsciente, que ainda não foram distinguidos pelos psicólogos. Ambos são inconscientes no sentido empregado pela psicologia, mas, em nosso sentido, um deles, que denominamos de Ics., é também inadmissível à consciência, enquanto ao outro
chamamos Pcs., porque suas excitações — depois de observarem certas regras, é verdade, e talvez apenas depois de passarem por uma nova censura, embora mesmo assim, sem consideração pelo Ics. — conseguem alcançar a consciência. O fato de, para chegarem à consciência, as excitações terem de atravessar uma seqüência fixa ou uma hierarquia de instâncias (o que nos é revelado pelas modificações nelas efetuadas pela censura) permiti-nos construir uma analogia espacial. Descrevemos as relações dos dois sistemas entre si e com a consciência dizendo que o sistema Pcs. situa-se como uma tela entre o sistema Ics. e a consciência. O sistema Pcs. não apenas barra o acesso à consciência, mas também controla o acesso ao poder da motilidade voluntária e tem a seu dispor, para distribuição, uma energia de catexia móvel, parte da qual nos é familiar sob a forma de atenção.”
No que diz respeito à escrita automática, esta não se veria livre de “perturbações” do consciente, ou seja, seria impossível a manifestação do inconsciente puro, e os textos, mesmo que tentassem se ver livres de
preocupações histórico-sociais, ainda conteriam reminiscências delas. Como Freud não julgava possível a manifestação pura do inconsciente, e Breton baseia nesta manifestação a idéia central do movimento, elegendo ao mesmo tempo Freud como uma espécie de ”patrono” surrealista, não é de se espantar as divergências que o fundador da psicanálise teve com o fundador do Surrealismo. Porém, esta divergência amplia-se a outros artistas e processos de criação, como veremos a seguir quando abordarmos a questão
de Salvador Dalí e seu método paranóico-crítico.
Quanto ao método de transcrição dos sonhos, utilizado pelos Surrealistas, haveria os problemas da falta de interpretação e da subjetividade, segundo as teorias freudianas. Para Freud, o sonho seria primeiramente dividido em duas partes:
O sonho em si (união do “texto do sonho” com os símbolos), ao qual ele chamou de “Sonho Manifesto”, e o significado do sonho, que ele nomeou de “Pensamentos Oníricos Latentes”. Os sonhos funcionariam como “escape” para desejos reprimidos, sendo que estes desejos seriam os “Pensamentos Oníricos Latentes”, ou seja, o significado de um sonho; porém, este significado seria “censurado” pelo superego (“instância da personalidade que é responsável pela introdução e manutenção dos pensamentos e comportamentos do indivíduo dentro dos padrões socialmente aceitos e princípios morais vigentes, defendendo-o das pulsões instintivas, suscetíveis de criar sentimentos de culpabilidade”), e transformado de maneira a tornar a mensagem aceitável pelo sonhador. Estas transformações causadas pela “censura” seriam resgatadas pela livre-associação e pela interpretação dos símbolos oníricos.
¹- FREUD, Sigmund. Obras Psicológicas Completas; (F) O inconsciente e a Consciência – Realidade. Edição Standard Brasileira Eletrônica. Imago Editora.
Intuição e inspiração nos processos criativos
“O consciente racional nunca se desliga das atividades criadoras; constitui um fator
fundamental de elaboração. Retirar o consciente da criação seria mesmo inadmissível, seria
retirar uma das dimensões humanas.”
“[...] Ainda sob a influência do surrealismo europeu e descrente, talvez em
conseqüência da segunda guerra mundial, da racionalidade no homem, esse movimento
[action-painting] postulava o automatismo do gesto como premissa e princípio de criação. O
gesto automático, involuntário, era tido como ação diretamente oriunda do inconsciente e,
assim excluindo o consciente, devia garantir a autenticidade espontânea da obra. Aliás, a
proposta em si é significativa: ela é impossível; é impossível excluir, voluntariamente, a
vontade.”
OSTROWER, Fayga. Criatividade e processos de criação / Fayga Ostrower. – Petrópolis, Vozes, 1987. – p.55-56
fundamental de elaboração. Retirar o consciente da criação seria mesmo inadmissível, seria
retirar uma das dimensões humanas.”
“[...] Ainda sob a influência do surrealismo europeu e descrente, talvez em
conseqüência da segunda guerra mundial, da racionalidade no homem, esse movimento
[action-painting] postulava o automatismo do gesto como premissa e princípio de criação. O
gesto automático, involuntário, era tido como ação diretamente oriunda do inconsciente e,
assim excluindo o consciente, devia garantir a autenticidade espontânea da obra. Aliás, a
proposta em si é significativa: ela é impossível; é impossível excluir, voluntariamente, a
vontade.”
OSTROWER, Fayga. Criatividade e processos de criação / Fayga Ostrower. – Petrópolis, Vozes, 1987. – p.55-56
Revolução Noturna e Revolução Diurna
Revolução Noturna:
“Nos primeiros experimentos com a solicitação poética, a escrita automática e a explicação dos sonhos, artigos reais ou imaginários pareciam dotados de uma vida real, própria. Todo objeto era considerado um “ser” perturbador e arbitrário e era creditado como tendo uma existência totalmente independente da atividade do experimentador.”
Revolução Diurna:
“Na segunda fase da experiência surrealista, os experimentadores evidenciaram o desejo de interferir. Esse elemento intencional teve uma tendência cada vez mais acentuada para a verificação concreta e ressaltou as possibilidades de uma crescente relação com o cotidiano.”
Salvador Dalí
“Nos primeiros experimentos com a solicitação poética, a escrita automática e a explicação dos sonhos, artigos reais ou imaginários pareciam dotados de uma vida real, própria. Todo objeto era considerado um “ser” perturbador e arbitrário e era creditado como tendo uma existência totalmente independente da atividade do experimentador.”
Revolução Diurna:
“Na segunda fase da experiência surrealista, os experimentadores evidenciaram o desejo de interferir. Esse elemento intencional teve uma tendência cada vez mais acentuada para a verificação concreta e ressaltou as possibilidades de uma crescente relação com o cotidiano.”
Salvador Dalí
Paradoxo surrealista
“Certamente, desde as primeiras conquistas surrealistas deveríamos ter-nos
perguntado se o abandono à imaginação associativa não precisava ser ultrapassado. Alguns
dentre nós, mais tarde, responderam pela afirmativa. O perigo do automatismo é, sem dúvida
alguma, o de muitas vezes associar apenas relações não-essenciais e cujo conteúdo, dizia
Hegel, “não ultrapassa o que está contido nas imagens”. É justo acrescentar, entretanto, que
se na pesquisa filosófica a lei capital é desconfiar da associação das idéias, o mesmo não
ocorre na criação artística, que é, por essência, intuição sensível. O processo das imagens, o
pasmo ou a angústia do encontro abrem uma via rica em metáforas plásticas: um fogo na neve.
Daí sua atração e sua fragilidade: satisfazer-se com excessiva facilidade e afastar-se ao
mesmo tempo do número e do conhecimento tátil do mundo. [...] Por volta de 1930, cinco anos
após a fundação do surrealismo, aparecia em seu seio um flagelo temível: a demagogia do
irracional. [...] Pobre conquista, essa do irracional pelo irracional; triste imaginação, essa que já
não associa senão elementos usados, na verdade, pela morna razão.”
André Masson
perguntado se o abandono à imaginação associativa não precisava ser ultrapassado. Alguns
dentre nós, mais tarde, responderam pela afirmativa. O perigo do automatismo é, sem dúvida
alguma, o de muitas vezes associar apenas relações não-essenciais e cujo conteúdo, dizia
Hegel, “não ultrapassa o que está contido nas imagens”. É justo acrescentar, entretanto, que
se na pesquisa filosófica a lei capital é desconfiar da associação das idéias, o mesmo não
ocorre na criação artística, que é, por essência, intuição sensível. O processo das imagens, o
pasmo ou a angústia do encontro abrem uma via rica em metáforas plásticas: um fogo na neve.
Daí sua atração e sua fragilidade: satisfazer-se com excessiva facilidade e afastar-se ao
mesmo tempo do número e do conhecimento tátil do mundo. [...] Por volta de 1930, cinco anos
após a fundação do surrealismo, aparecia em seu seio um flagelo temível: a demagogia do
irracional. [...] Pobre conquista, essa do irracional pelo irracional; triste imaginação, essa que já
não associa senão elementos usados, na verdade, pela morna razão.”
André Masson
Assinar:
Postagens (Atom)