sábado, 19 de janeiro de 2013
A Ponte
Como é que faz pra lavar a roupa?
Vai na fonte, vai na fonte
Como é que faz pra raiar o dia?
No horizonte, no horizonte
Este lugar é uma maravilha
Mas como é que faz pra sair da ilha?
Pela ponte, pela ponte
Vai na fonte, vai na fonte
Como é que faz pra raiar o dia?
No horizonte, no horizonte
Este lugar é uma maravilha
Mas como é que faz pra sair da ilha?
Pela ponte, pela ponte
A ponte não é de concreto, não é de ferro
Não é de cimento
A ponte é até onde vai o meu pensamento
A ponte não é para ir nem pra voltar
A ponte é somente pra atravessar
Caminhar sobre as águas desse momento
Não é de cimento
A ponte é até onde vai o meu pensamento
A ponte não é para ir nem pra voltar
A ponte é somente pra atravessar
Caminhar sobre as águas desse momento
A ponte nem tem que sair do lugar
Aponte pra onde quiser
A ponte é o abraço do braço do mar
Com a mão da maré
A ponte não é para ir nem pra voltar
A ponte é somente pra atravessar
Caminhar sobre as águas desse momento
Aponte pra onde quiser
A ponte é o abraço do braço do mar
Com a mão da maré
A ponte não é para ir nem pra voltar
A ponte é somente pra atravessar
Caminhar sobre as águas desse momento
Nagô, nagô, na Golden Gate
Entreguei-te
Meu peito jorrando meu leite
Atrás do retrato-postal fiz um bilhete
No primeiro avião mandei-te
Coração dilacerado
De lá pra cá sem pernoite
De passaporte rasgado
Sem ter nada que me ajeite
Entreguei-te
Meu peito jorrando meu leite
Atrás do retrato-postal fiz um bilhete
No primeiro avião mandei-te
Coração dilacerado
De lá pra cá sem pernoite
De passaporte rasgado
Sem ter nada que me ajeite
Nagô, nagê, na Golden Gate
Coqueiros varam varandas no Empire State
Aceite
Minha canção hemisférica
A minha voz na voz da América
Cantei-te, ah
Amei-te
Cantei-te, ah
Amei-te
Lenine
Coqueiros varam varandas no Empire State
Aceite
Minha canção hemisférica
A minha voz na voz da América
Cantei-te, ah
Amei-te
Cantei-te, ah
Amei-te
Lenine
domingo, 25 de novembro de 2012
Convite
ARTE JOVEM BRASILEIRA MOSTRA DE ARTE LIVRE E SINCERA – 8ª edição 2012
Exposição “Nu Parque”, de Ane Peclat. Sambada de coco + maracatu com o BLOCO SEMENTE DE JUREMA + Rio Minas na festa de encerramento da Mostra 2012. Poesia com Rodrigo Bodão. “Vendo-me Fiz Isto ou Ator Emparedado” performance teatral solo de Reynaldo Dutra. Exposição de escultura de Akuma. “4 Cantos Lomográficos”, exposição de fotos de Leila Barreto. “Coleção Brincantes”, exposição de pinturas de Regina Lima. Lançamento literário Navilouca: “De mochila e estrada”, de Rodrigo Raro. Pré-lançamento da grife sustentável de moda unissex Vitrô. Gincana cultural, Reboco literário…
Exposição “Nu Parque”, de Ane Peclat. Sambada de coco + maracatu com o BLOCO SEMENTE DE JUREMA + Rio Minas na festa de encerramento da Mostra 2012. Poesia com Rodrigo Bodão. “Vendo-me Fiz Isto ou Ator Emparedado” performance teatral solo de Reynaldo Dutra. Exposição de escultura de Akuma. “4 Cantos Lomográficos”, exposição de fotos de Leila Barreto. “Coleção Brincantes”, exposição de pinturas de Regina Lima. Lançamento literário Navilouca: “De mochila e estrada”, de Rodrigo Raro. Pré-lançamento da grife sustentável de moda unissex Vitrô. Gincana cultural, Reboco literário…
Fernando Pessoa, 1999, trecho 1, p. 45.
Nasci em um tempo em que a maioria dos jovens havia perdido
a crença em Deus, pela mesma razão que os seus maiores a
haviam
tido – sem saber por quê. E então, porque o espírito humano
tende
naturalmente a criticar porque sente, e não porque pensa, a
maioria
desses jovens escolheu a Humanidade como sucedâneo de Deus.
Pertenço, porém, àquela espécie de homens que estão sempre
à margem daquilo a que pertencem, nem vêem só a multidão
de que são, senão também os grandes espaços que há ao lado.
Por isso nem abandonei Deus tão amplamente como eles,
nem aceitei nunca a humanidade... Assim, não sabendo crer
em Deus, e não podendo crer numa soma de animais, fiquei,
como outros da orla das gentes, naquela
distância de tudo a que se chama a Decadência.
sábado, 24 de novembro de 2012
passagem do livro: Arriscar o Impossível de Slavoj Zizek e Glyn Daly
Ao imputar o status de Real a um Outro específico, sustenta-se o sonho da realização holística - mediante a eliminação, a expulsão ou a supressão desse Outro.
A ideologia não apenas constrói uma certa imagem de realização, mas também se esforça por regular certo distanciamento dela. Por um lado, temos a fantasia ideológica de nos reconciliarmos com a Coisa (da realização total), mas, por outro, temos a ressalva implícita de não nos aproximarmos dela em demasia. A razão (lacaniana) disso é clara: quando nos aproximamos demais da Coisa, ela despedaça/ evapora (como os afrescos da Roma de Fellini), ou provoca uma angústia e uma desintegração psíquica insuportáveis.
Como afirma Zizek nesse livro, além da operação ideológica prima facie de traduzir a impossibilidade num obstáculo externo, há ainda um estágio mais profundo nessa operação, qual seja, a "própria elevação de algo à impossibilidade, como maneira de adiar ou evitar o encontro com ele". A ideologia é o sonho impossível, não apenas em termos de superar a impossibilidade, mas em termos de sustentá-la de uma forma aceitável. Ou seja, a idéia de superação é sustentada como um momento adiado de reconciliação, sem que seja preciso passar pela dor da superação como tal.
A ideologia não apenas constrói uma certa imagem de realização, mas também se esforça por regular certo distanciamento dela. Por um lado, temos a fantasia ideológica de nos reconciliarmos com a Coisa (da realização total), mas, por outro, temos a ressalva implícita de não nos aproximarmos dela em demasia. A razão (lacaniana) disso é clara: quando nos aproximamos demais da Coisa, ela despedaça/ evapora (como os afrescos da Roma de Fellini), ou provoca uma angústia e uma desintegração psíquica insuportáveis.
Como afirma Zizek nesse livro, além da operação ideológica prima facie de traduzir a impossibilidade num obstáculo externo, há ainda um estágio mais profundo nessa operação, qual seja, a "própria elevação de algo à impossibilidade, como maneira de adiar ou evitar o encontro com ele". A ideologia é o sonho impossível, não apenas em termos de superar a impossibilidade, mas em termos de sustentá-la de uma forma aceitável. Ou seja, a idéia de superação é sustentada como um momento adiado de reconciliação, sem que seja preciso passar pela dor da superação como tal.
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